Transmissão do hantavírus é difícil e o risco é baixo, diz infectologista

O hantavírus representa um risco baixo para a saúde pública mundial, segundo a médica infectologista Luana Araújo, em entrevista ao Hora H desta sexta-feira (8). A especialista analisou o surto da doença registrado em um navio que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde, além dos dois casos confirmados no Brasil.

Luana Araújo destacou que, embora o risco seja relevante para as pessoas diretamente expostas no contexto do navio, ele não representa uma ameaça de saúde global.

“O risco é baixo, isso é muito importante que as pessoas entendam. Ele é relevante ali para aquelas pessoas expostas dentro do contexto do navio, mas em termos de saúde pública ou de saúde global, ele é um risco baixo”, afirmou.

Um vírus conhecido há décadas

O hantavírus é um grupo de vírus conhecido pela ciência desde os anos 1950 e isolado nos anos 1970. Segundo Luana Araújo, não existe tratamento antiviral específico para a doença, mas há vacinas em desenvolvimento em diversas plataformas há bastante tempo.

A dificuldade de avançar nesse processo se deve ao fato de ser uma doença rara. “Nós temos hantavírus na Europa, nós temos na Ásia, nós temos nas Américas, tanto do Norte quanto no Sul, nós temos no Brasil. Essa não é uma doença que a gente desconheça”, explicou a infectologista.

Luana Araújo fez uma comparação importante entre o hantavírus e o Sars-CoV-2, vírus responsável pela Covid-19. Enquanto o vírus da Covid se multiplicava no trato respiratório superior (nariz e garganta), o hantavírus se replica nas profundezas dos pulmões.

“Não é tão simples assim dele sair, não é tão simples de chegar a outras pessoas. A transmissão é muito mais difícil e muito menos efetiva do que acontece com outras doenças que têm quadros respiratórios envolvidos, como a própria Covid”, disse.

A especialista também ressaltou que, dos cerca de 149 passageiros do navio, apenas 8 casos foram registrados até o momento. “Não é um rastilho de pólvora. Se fosse, a gente veria uma coisa muito diferente do que a gente está vendo nesse momento”, afirmou.

Casos no Brasil não têm relação com o surto do navio

Sobre os dois casos confirmados no Brasil — com outros 11 ainda em investigação e 21 já descartados —, Luana Araújo foi enfática ao afirmar que não há relação com o surto registrado na embarcação. “Esses casos não têm absolutamente nada a ver com os casos do cruzeiro. Inclusive, isso já foi comentado pelo próprio governo do estado do Paraná”, declarou.

A infectologista explicou que a grande maioria das cepas do hantavírus tem transmissão por secreções, sangue, urina, fezes e saliva de roedores silvestres, e não de pessoa para pessoa. Apenas a cepa Andes, presente no navio, possui capacidade de transmissão entre humanos. No Brasil, a hantavirose registra, em média, uma dezena de casos por ano desde os anos 1990.

Luana Araújo também destacou a importância do conceito de “saúde única”, que integra a saúde do meio ambiente, dos animais e dos seres humanos. “É preciso a gente trabalhar isso e equilibrar esse conceito como um todo para que a gente se exponha menos, enquanto seres humanos, a esses vírus e a muitos outros micro-organismos que podem ser deletérios para a gente”, concluiu.

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