As tensões entre os Estados Unidos e Cuba se intensificaram com o indiciamento criminal do ex-presidente cubano Raúl Castro e a aproximação de embarcações militares americanas à ilha.
Para o analista de Internacional da CNN Lourival Sant’anna ao CNN Prime Time, a estratégia do presidente americano, Donald Trump, em relação a Cuba segue uma lógica semelhante à adotada anteriormente com o Irã.
Sant’anna explicou que, no caso iraniano, Trump foi convencido de que havia a possibilidade de um sucesso rápido: “Decapitar e mudar regime, fazer algo que nenhum presidente americano tinha ousado fazer em 47 anos de República Islâmica”.
Como esse objetivo não foi alcançado, o foco agora se volta para Cuba, considerada um alvo mais simples por estar a apenas cerca de 150km quilômetros da costa da Flórida, conforme destacou Marco Rubio.
Bloqueio naval e indiciamento como ferramentas de pressão
Segundo o analista, Trump teria lançado uma rede — o bloqueio naval — e, em seguida, uma isca, representada pelo indiciamento de Raúl Castro. A estratégia seria observar os efeitos dessas ações: “Como um pescador que fica esperando para ver o que ele pesca”, explica.
Entre os cenários possíveis, Lourival mencionou a hipótese de um golpe palaciano, com militares cubanos mais pragmáticos e menos ideológicos assumindo o poder e negociando com Trump.
Além de Raúl Castro, outros cinco cubanos foram indiciados, acusados de terem pilotado os caças que derrubaram aeronaves civis de pequeno porte.
Segundo o analista, essas aeronaves estavam “invadindo o espaço aéreo cubano”, jogando panfletos e tentando resgatar refugiados cubanos para os Estados Unidos.
O analista ressaltou que, embora a missão tivesse caráter de desestabilização, a decisão de abater os aviões constitui um crime, já que civis foram mortos. Uma eventual operação de forças especiais americanas poderia ter como missão capturar esses outros indiciados e, assim, criar uma desestabilização adicional.
Resposta cubana e contexto diplomático
Em resposta às pressões, Cuba teria adquirido 300 drones Shahid do Irã e incorporado doutrina russa de emprego dessas aeronaves, além de contar com inteligência militar chinesa. Todas essas informações seriam provenientes da inteligência americana.
Sant’anna destacou ainda que essas aquisições teriam ocorrido dois dias após o diretor da CIA, John Ratcliffe, visitar Havana para apresentar as condições americanas para uma eventual negociação — e que foi a partir desse encontro que veio o indiciamento de Raúl Castro.
source https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-o-que-trump-espera-conseguir-com-pressao-a-cuba/
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