O Irã ainda não anunciou quem representará o país nas negociações deste fim de semana com os Estados Unidos, que serão lideradas pelo vice-presidente JD Vance, Steve Witkoff e Jared Kushner.
Muitos dos principais oficiais do regime foram mortos por ataques dos EUA e de Israel, incluindo figuras-chave das negociações anteriores, além do antigo Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei.
Três nomes aparecem como possíveis representantes de Teerã nas conversas no Paquistão:
Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e ex-prefeito de Teerã, tem sido um interlocutor importante com a administração Trump durante o conflito. Alguns veículos iranianos apontam que ele pode liderar esta rodada de negociações.
Com histórico de repressão a dissidentes, Ghalibaf entrou para a Guarda Revolucionária Islâmica ainda adolescente e dedicou sua vida ao regime. Ele chegou a se vangloriar de ter agredido manifestantes com “bastões de madeira”.
Ali Vaez, diretor do Iran Project no International Crisis Group, afirmou à CNN que Ghalibaf tem as credenciais que importam em Teerã, incluindo experiência na IRGC, ligações com o establishment e instinto pragmático para preservar o regime. Vaez ressalta, no entanto, que ele é aliado do regime, não dos EUA. Se ele subir ainda mais, o Irã tende a se tornar mais militarizado do que moderado.
Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores desde 2024, é diplomata de carreira e se tornou uma das principais vozes internacionais de Teerã, negociando em nome do país ao redor do mundo. Ele morou no Reino Unido nos anos 1990, onde obteve doutorado em pensamento político, e era bem visto por professores e colegas.
Araghchi é conhecido por ser firme, mas pragmático, e participou de negociações que culminaram no acordo nuclear de 2015. Apesar das aproximações com os EUA, ele é defensor do regime e apoiou publicamente a repressão violenta contra manifestantes neste ano.
Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, ocupa o segundo cargo mais importante do país e chefia o governo, embora seu poder tenha diminuído nos últimos anos, já que a elite clerical e militar mantém o controle real. Ex-cirurgião, Pezeshkian defende reformas políticas e sociais moderadas, mas permaneceu leal ao regime.
No início do mês, ele escreveu uma carta aberta ao povo americano questionando se a guerra realmente atende aos interesses dos EUA.
As negociações entre Estados Unidos e Irã acontecerão em Islamabad, no Paquistão, na sexta-feira, 10 de abril, quando as delegações devem se reunir para tentar avançar em um acordo e reduzir as tensões na região.
source https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ira-nao-revela-delegacao-para-negociacoes-com-os-eua-veja-cotados/
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